Nefertiti:
Poucas figuras da Antiguidade sintetizam de forma tão clara a intersecção entre política, religião e estética quanto Nefertiti. Ao lado de Akhenaton, ela participa de um dos episódios mais radicais da história egípcia: a chamada Revolução de Amarna, no século XIV a.C.
Neste período, o Egito rompe, ainda que temporariamente, com sua tradição milenar. O culto a Amon e ao panteão tradicional cede lugar à centralidade de Aton, representado não como figura antropomórfica, mas como o disco solar cujos raios tocam diretamente a família real. Nesse contexto, Nefertiti emerge não apenas como consorte, mas como figura ativa na construção dessa nova ordem.
Nesta aula, portanto, Guilherme Zabel nos conduzirá não apenas pelo passado, mas por uma reflexão sobre um momento em que uma civilização milenar ousou reinventar a si mesma. Para isso, vamos compreender a Revolução de Amarna não como um episódio isolado, mas como um experimento histórico de grande alcance: uma tentativa de redefinir as relações entre religião, poder e imagem no Egito Antigo. A partir da figura de Nefertiti, será possível explorar como essa transformação se manifesta na política, na arte e na construção simbólica da autoridade.
Inscrições até as 16h do dia da atividade cultural mediante disponibilidade.