Dia Mundial do Folclore: três tradições que vão mudar seu olhar sobre o mundo

Antes de falar sobre as tradições que atravessam diferentes partes do mundo, vale voltar à própria origem da palavra.

O termo folklore foi utilizado pela primeira vez pelo escritor e antiquário inglês William John Thoms, em uma carta publicada na revista londrina The Athenaeum, em 22 de agosto de 1846. A carta propunha uma palavra para reunir aquilo que vinha sendo chamado de “antiguidades populares” ou “literatura popular”. Thoms uniu os termos ingleses folk, povo, e lore, saber ou conhecimento.

A criação da palavra, porém, não representa o nascimento das manifestações que ela passou a designar. Histórias transmitidas oralmente, crenças, músicas, celebrações, técnicas artesanais e outras formas de expressão já faziam parte da vida das comunidades muito antes de receberem o nome de folclore. O que surgiu no século XIX foi uma nova maneira de reunir e estudar esse conjunto de saberes.

Com o desenvolvimento dos estudos folclóricos, o conceito tornou-se mais amplo. Hoje, a ideia de patrimônio cultural imaterial, trabalhada pela UNESCO, contempla práticas e expressões vivas que as comunidades reconhecem como parte de sua herança cultural e que são transmitidas e transformadas ao longo das gerações.

Viajar também é descobrir outras formas de contar uma história

Quando pensamos em folclore, algumas referências aparecem rapidamente. México, Itália, Argentina e tantos outros países possuem manifestações que já fazem parte do nosso imaginário: festas populares, danças, músicas, máscaras, trajes e celebrações que reconhecemos mesmo sem conhecer profundamente suas origens.

Há, porém, uma parte enorme desse patrimônio cultural que permanece distante do nosso repertório. Em diferentes regiões do mundo, comunidades preservam tradições que dificilmente aparecem nas primeiras imagens associadas a seus países. Conhecê-las pode ser também uma maneira de olhar para um destino por outra perspectiva. Por trás de cada manifestação existe uma história sobre quem a pratica, sobre o lugar onde ela se desenvolveu e sobre os conhecimentos que foram transmitidos entre gerações.

Neste Dia Mundial do Folclore, reunimos três tradições que talvez ainda não façam parte do teu repertório, e que podem despertar a curiosidade por conhecer os lugares onde elas permanecem vivas.

 


Geórgia: quando uma comunidade canta a própria história

Uma das manifestações mais marcantes da cultura georgiana é o canto polifônico tradicional.

A polifonia georgiana apresenta diferentes formas regionais. Na Svaneti, por exemplo, predomina uma polifonia complexa; na região de Kakheti, no leste do país, é característica a combinação de vozes sobre uma base grave; e no oeste da Geórgia aparece uma forma em que três linhas vocais podem apresentar diferentes graus de improvisação.

O canto tradicional acompanha diferentes momentos da vida comunitária. Há canções relacionadas ao trabalho nos campos, à celebração, às cerimônias, às festas religiosas e até a práticas de cura. Algumas também estão associadas ao cultivo da videira, uma atividade profundamente ligada à história cultural da Geórgia. Entre as manifestações mais conhecidas está Chakrulo, uma canção utilizada em cerimônias e festividades. Parte do repertório tradicional possui origens muito antigas; a UNESCO registra, por exemplo, canções que remontam ao século VIII.

O canto polifônico georgiano foi inscrito pela UNESCO na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade em 2008.

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Fonte principal: UNESCO — Georgian Polyphonic Singing.

Ainda em agosto, um Grupo Exclusivo Casamundi embarca para o Cáucaso, passando por Geórgia, Armênia e Azerbaijão. Se você não vai com a gente desta vez, mas ficou com vontade de conhecer a região, entre em contato com a nossa equipe para planejar um roteiro personalizado. Acompanhe o nosso grupo exclusivo pelas redes sociais da Casamundi!

 


Índia: o ritual que transforma dança em manifestação sagrada

No norte de Kerala, no sul da Índia, uma das manifestações culturais mais impressionantes é o Theyyam. Realizado principalmente na região de North Malabar, o Theyyam combina dança, música, canto, pintura corporal, figurinos e elementos rituais. As apresentações acontecem em santuários, templos e outros espaços ligados às comunidades locais.

A preparação dos intérpretes é parte importante da tradição. O artista, chamado Kolam, passa por um período de disciplina e abstinência antes da apresentação. A maquiagem e os trajes variam de acordo com a figura representada, e o grande adorno de cabeça, conhecido como mudi, é um dos elementos mais característicos.

O repertório reúne centenas de formas diferentes de Theyyam, relacionadas a divindades, heróis, espíritos, personagens locais e elementos da tradição religiosa e popular da região. O próprio Kerala Tourism registra cerca de 400 variedades. As apresentações são acompanhadas por instrumentos tradicionais, como tambores, conchas e utukku, além dos cantos conhecidos como thottam. Dependendo da manifestação, podem também envolver fogo e outros elementos performáticos.

O resultado é uma manifestação em que dança, música, artes visuais, narrativa e ritual estão profundamente integrados à vida das comunidades do norte de Kerala.

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Fontes principais: Kerala Tourism e Kerala Tourism — calendário e documentação sobre o Theyyam.

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Japão: as figuras mascaradas que chegam às casas

No Japão, algumas tradições populares estão relacionadas à chegada de uma nova estação ou de um novo ciclo do calendário. Entre elas estão os rituais conhecidos como Raiho-shin, nos quais figuras que representam divindades visitam comunidades usando máscaras e trajes específicos.

Essas manifestações acontecem em diferentes regiões do país, especialmente em áreas de Tohoku, Hokuriku, Kyushu e Okinawa, em momentos associados ao início do ano ou à mudança das estações. Durante os rituais, pessoas da própria comunidade assumem a identidade dessas figuras e visitam casas. Algumas usam máscaras assustadoras e repreendem comportamentos considerados inadequados, especialmente a preguiça, enquanto desejam felicidade e boa sorte para o novo período.

Entre os exemplos mais conhecidos está o Namahage, da península de Oga, na província de Akita. As figuras mascaradas fazem visitas durante o período de Ano-Novo, mantendo viva uma tradição que combina crenças populares, participação comunitária e transmissão entre gerações.

As formas do ritual variam de acordo com a região. Essa diversidade é parte importante da tradição: diferentes comunidades desenvolveram seus próprios personagens, trajes e formas de realização. Em 2018, os rituais Raiho-shin foram inscritos pela UNESCO na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

CLIQUE AQUI PARA CONHECER OS DETALHES DESTA CULTURA

Fonte principal: UNESCO — Raiho-shin, ritual visits of deities in masks and costumes.

A Casamundi esteve no Japão em 2025, vivenciando de perto suas tradições e diferentes expressões culturais. Se esse destino também está nos teus planos, fala com a nossa equipe e conte com a Casamundi para planejar uma viagem personalizada.

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