Há regiões que entram para a História da Arte pela quantidade de artistas que passaram por elas. A Provence e a Côte d’Azur ocupam um lugar ainda mais particular: foram paisagens que participaram diretamente da transformação da pintura moderna.
A luz do Mediterrâneo, as montanhas, os campos, as cidades e as formas da paisagem do sul da França despertaram novas questões sobre cor, espaço e representação. Cézanne encontrou na geometria da natureza uma maneira de reorganizar a percepção; Van Gogh transformou campos, jardins e cidades em matéria pictórica; Matisse fez da luz mediterrânea um princípio de construção da obra. É a partir dessa relação entre arte e território que foi concebido o Grupo Exclusivo Casamundi “Sob a Luz da Provence”, com acompanhamento cultural e um roteiro que aproxima obras, ateliês, museus, vilarejos e paisagens fundamentais para compreender a modernidade artística.
Hoje, te mostramos três lugares que ajudam a revelar diferentes dimensões desse universo e que estarão no roteiro Casamundi: o Museu Matisse, em Nice; a Fundação Maeght, em Saint-Paul-de-Vence; e o Ateliê de Cézanne, em Aix-en-Provence.
Museu Matisse, Nice
Inauguração: 1963
Localização: bairro de Cimiez, Nice
Acervo: mais de 600 obras de Henri Matisse

Instalado na Villa des Arènes, uma construção do século XVII localizada em meio ao conjunto histórico de Cimiez, o Museu Matisse foi inaugurado em 1963. A instituição nasceu a partir de uma doação feita pelo próprio Matisse à cidade de Nice, em 1953, um ano antes de sua morte. A coleção foi ampliada posteriormente por doações e legados de seus herdeiros.
O acervo reúne pinturas, desenhos, esculturas, gravuras, objetos pessoais e documentos relacionados à produção do artista. A coleção permanente é apresentada em diferentes recortes e recebe rotações e exposições temporárias, permitindo novas leituras da obra de Matisse. A escolha de Nice não é casual. Matisse viveu grande parte de sua maturidade na cidade, e a proximidade entre o museu e os espaços onde o artista trabalhou ajuda a compreender a influência da Côte d’Azur sobre sua produção.
Por que essa visita faz parte do roteiro exclusivo Casamundi?
“A visita ao Museu Matisse, em Nice, é essencial para compreender como a experiência mediterrânea participou da transformação de sua linguagem artística.” – Tiago Halewicz, curador cultural da Casamundi
Segundo Tiago, em Matisse, a luz não atua apenas como condição natural da paisagem ou recurso para representar volumes: ela se converte em um princípio estrutural da obra, reorganizando as relações entre cor, espaço e forma. A permanência do artista na Côte d’Azur contribuiu para o progressivo abandono da profundidade tradicional em favor de superfícies mais planas, ritmos decorativos e composições orientadas pela síntese. O museu permite acompanhar esse percurso e perceber que a aparente simplicidade de sua pintura resulta, na verdade, de uma investigação rigorosa sobre os limites da representação.

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Fundação Maeght, Saint-Paul-de-Vence
Inauguração: 1964
Localização: Saint-Paul-de-Vence
Arte moderna e contemporânea

A Fundação Maeght ocupa um lugar especial na história cultural da Côte d’Azur. Criada por Aimé e Marguerite Maeght, galeristas, editores e importantes interlocutores de artistas do século XX, a Fundação foi inaugurada em 28 de julho de 1964 por André Malraux. Foi concebida como um espaço dedicado à arte moderna e contemporânea, pensado em colaboração direta com artistas e com o arquiteto Josep Lluís Sert.
A origem do projeto está ligada ao desejo do casal Maeght de criar um lugar em que artistas pudessem expor, produzir e trocar ideias em condições especialmente pensadas para a criação. O resultado foi uma instituição em que arquitetura, obras de arte e paisagem foram concebidas em diálogo. Joan Miró, Alberto Giacometti, Georges Braque, Marc Chagall, Alexander Calder, Fernand Léger e muitos outros artistas participaram desse projeto. Algumas obras foram criadas especificamente para os espaços da Fundação, como o Labirinto de Miró, o pátio de Giacometti e os mosaicos de Chagall e Tal-Coat.
A coleção atual reúne cerca de 13 mil obras, entre pinturas, esculturas, desenhos e trabalhos gráficos de artistas modernos e contemporâneos. A instituição mantém uma coleção permanente e organiza exposições temporárias, além de uma programação que inclui música, dança, teatro e outras manifestações artísticas.
Por que visitaremos este espaço?
Nas palavras de Tiago Halewicz, a Fundação Maeght amplia o olhar sobre a arte moderna ao reunir “arte moderna, arquitetura e natureza em um espaço concebido como uma verdadeira obra de arte. É, talvez, um dos lugares que melhor sintetizam o espírito criativo da Côte d’Azur no século XX”.
A visita permite compreender um momento em que o espaço expositivo deixa de ser apenas o lugar onde uma obra é apresentada. Na Fundação Maeght, o próprio edifício, os jardins, as esculturas e a paisagem fazem parte da experiência artística.
É também uma maneira de perceber como Saint-Paul-de-Vence se tornou um importante ponto de encontro de artistas e intelectuais no século XX.

Conheça um pouco mais sobre a fundação
Ateliê de Cézanne, Aix-en-Provence
Construído: 1901
Aberto ao público como museu: 1954
Localização: colina dos Lauves, Aix-en-Provence

Em Aix-en-Provence, a relação entre artista e território ganha uma dimensão mais íntima. Construído em 1901 na colina dos Lauves, o ateliê foi projetado pelo próprio Paul Cézanne. O pintor trabalhou ali todas as manhãs entre 1902 e sua morte, em 1906. Foi nesse espaço que produziu dezenas de obras, incluindo trabalhos relacionados à sua produção final. Depois da morte de Cézanne, o espaço permaneceu preservado. Em 1954, foi adquirido pelo Cézanne Memorial Committee, sob a iniciativa dos historiadores John Rewald e James Lord, e aberto ao público como museu em 8 de julho daquele ano.
A proposta é diferente daquela de um museu convencional. O visitante entra no próprio espaço de trabalho do artista, onde permanecem objetos, mobiliário, materiais e elementos que fizeram parte de seu cotidiano. O ateliê permite observar o ambiente em que Cézanne desenvolveu sua investigação sobre forma, volume, cor e percepção.
Por que essa visita faz parte do roteiro?
Para Tiago Halewicz, o Ateliê de Cézanne oferece “uma experiência mais íntima”. Entrar no espaço de trabalho do artista permite perceber como os objetos, a luz e a paisagem provençal participaram de sua investigação sobre forma, volume e percepção.
Em Aix-en-Provence, a viagem também se aproxima da Montanha Sainte-Victoire, uma das paisagens fundamentais para compreender a obra de Cézanne. O roteiro prevê, inclusive, uma parada para observar a montanha a partir de Beaurecueil, ponto considerado especialmente importante para entender a relação do artista com a paisagem.

Breve spoiler do que vamos conhecer
Museu, fundação e ateliê apresentam experiências diferentes, mas fazem parte de uma mesma leitura proposta pela Casamundi. Como resume Tiago Halewicz:
“Essas visitas não são simples complementos culturais, e sim pontos estruturantes da viagem. São elas que ajudam o viajante a compreender por que o sul da França é um dos polos da transformação da arte moderna.”
Sob a Luz da Provence — Grupo Exclusivo Casamundi 2027
Setembro de 2027
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