Quando pensamos na Índia, é comum que algumas imagens surjam antes mesmo de conhecermos sua história: multidões, templos, cores, ritos, o Ganges, o Taj Mahal. Essas referências fazem parte do país, mas contam apenas uma pequena parcela de uma sociedade formada ao longo de milênios. A Índia contemporânea reúne cerca de 1,4 bilhão de habitantes e uma diversidade religiosa que inclui hinduísmo, islamismo, cristianismo, sikhismo, budismo e jainismo, entre outras tradições. Seu território foi marcado por diferentes dinastias, impérios, sistemas filosóficos e formas de organização política.
Para compreender esse país, é preciso olhar para as camadas que permanecem inscritas em suas cidades, monumentos, religiões e modos de vida. E é esse percurso que orienta o Grupo Exclusivo Casamundi “Índia: Entre Ritos e Impérios”, de novembro de 2027.
Uma história construída por impérios
Delhi é um ponto de partida para compreender essas transformações.
A região foi ocupada por diferentes cidades e dinastias ao longo dos séculos. No complexo de Qutb Minar, por exemplo, encontram-se vestígios associados à formação do poder islâmico no norte da Índia a partir do século XII. A torre de Qutb Minar, construída no início do século XIII, possui 72,5 metros de altura. O conjunto arqueológico ao seu redor reúne mesquitas, túmulos e outras estruturas que documentam o encontro entre tradições arquitetônicas islâmicas e elementos presentes na arquitetura hindu e jainista. A UNESCO reconhece o complexo como patrimônio mundial desde 1993.
Em outro ponto da cidade está o Forte Vermelho, construído como palácio-fortaleza de Shahjahanabad, a nova capital do imperador mogol Shah Jahan. Sua arquitetura reúne referências islâmicas, persas, timúridas e hindus, revelando como diferentes tradições foram incorporadas ao projeto imperial mogol.
Delhi, portanto, não apresenta uma única história. A cidade permite observar diferentes períodos políticos sobrepostos no mesmo território.

Varanasi: uma cidade viva
Às margens do Ganges, Varanasi oferece outra chave de leitura.
Considerada uma das cidades mais antigas continuamente habitadas do mundo, Varanasi ocupa um lugar central na tradição hindu. Seus ghats — os grandes conjuntos de escadarias que conduzem ao rio — são utilizados para peregrinações, cerimônias religiosas e diferentes atividades da vida cotidiana.
A relação com o Ganges ajuda a compreender uma dimensão fundamental da sociedade indiana: a presença da religião ultrapassa os limites dos templos e se organiza nos espaços urbanos, nos ritos e nas práticas sociais.
A poucos quilômetros dali, Sarnath apresenta outra tradição fundamental do subcontinente: o budismo. Segundo a tradição, foi ali que Siddhartha Gautama realizou seu primeiro sermão, no século VI a.C. O local tornou-se um importante centro de peregrinação e, em 2026, foi inscrito na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO.
Varanasi e Sarnath, tão próximas geograficamente, permitem compreender como diferentes tradições religiosas se relacionam com a história, a cidade e a sociedade indiana.

Agra e a dimensão política da arte
O Taj Mahal costuma aparecer como uma imagem isolada da Índia. Dentro de seu contexto histórico, porém, ele revela uma história muito mais ampla.
Construído por ordem do imperador mogol Shah Jahan a partir de 1632, o mausoléu foi concebido em memória de Mumtaz Mahal e concluído em 1648. Para sua construção, foram reunidos artesãos de diferentes partes do Império Mogol e de regiões da Ásia Central e do Irã. Mármore, geometria, jardins, caligrafia, técnicas de incrustação e simetria arquitetônica compõem uma obra que expressa também a dimensão política e cultural do Império Mogol.
Próximo dali, o Forte de Agra permite aprofundar essa leitura. Com 2,5 quilômetros de muralhas, o complexo abrigava a cidade imperial dos governantes mogóis.

Rajastão: o território como expressão de poder
No Rajastão, o roteiro apresenta uma outra configuração histórica.
Jaipur foi fundada em 1727 por Sawai Jai Singh II, governante do estado de Amber. Diferentemente de muitas cidades que cresceram organicamente ao longo dos séculos, Jaipur foi planejada segundo um modelo urbano em grade, inspirado em princípios tradicionais da arquitetura hindu. A UNESCO considera Jaipur um exemplo excepcional de planejamento urbano no sul da Ásia. Grande parte de sua infraestrutura e dos espaços públicos e reais foi construída entre 1727 e 1731.
A cidade também abriga o Jantar Mantar, observatório astronômico construído no início do século XVIII. O complexo reúne cerca de vinte instrumentos monumentais destinados à observação dos movimentos dos astros a olho nu. Para a UNESCO, o local representa o encontro entre conhecimento astronômico, cosmologia, religião, ciência e autoridade política durante o período final da era mogol.
É um exemplo particularmente interessante de como a história da Índia também pode ser contada por meio da ciência e do conhecimento.

Uma Índia construída por muitas camadas
A Índia pode ser lida por diferentes caminhos: nas marcas deixadas pelos impérios, na arquitetura de suas cidades, na diversidade de suas tradições religiosas e nas manifestações artísticas que atravessaram séculos.
É essa perspectiva que conduz a proposta da Casamundi. Um roteiro pensado para aproximar lugares, períodos e culturas e, a partir deles, ampliar a compreensão sobre a Índia de ontem e de hoje.
Portanto, a pergunta
“Quanto da Índia que imaginamos corresponde, de fato, à Índia que existe?”
será o ponto de partida para uma viagem que percorre cidades, monumentos e tradições com o objetivo de compreender a história e a sociedade indiana.