Nos últimos meses, pesquisadores de comportamento, especialistas em turismo e empresas do setor têm analisado dados e padrões de viagem para entender como os viajantes devem se movimentar nos próximos anos. As informações reunidas, com base em análises e conteúdos divulgados pela BBC, indicam que 2026 deve consolidar transformações que já começaram a aparecer nas escolhas de quem viaja.
Além de novos hábitos, surgem também novos termos em inglês que descrevem estilos e motivações de viagem. Essas expressões ajudam a revelar como estamos lidando com trabalho, lazer e bem-estar.
A seguir, apresentamos quatro tendências que devem ganhar força no cenário do turismo global.
1) Quietcations: viajar para encontrar silêncio e desacelerar
Uma das tendências mais evidentes para 2026 é a busca por férias em ambientes silenciosos e tranquilos; movimento que vem sendo chamado de quietcations ou “hushpitality”. A proposta é simples: trocar estímulos constantes por descanso genuíno. Em um mundo conectado o tempo todo, com excesso de notificações e fluxo contínuo de notícias, cresce o interesse por experiências que priorizam:
- contato com a natureza
- redução de telas
- rotina desacelerada
- espaços de silêncio e introspecção
Empreendimentos especializados em desconexão digital relatam aumento de hóspedes que procuram esse tipo de estadia para aliviar cansaço mental e burnout. Destinos que mapeiam áreas de silêncio, retiros em ambientes naturais e cabanas isoladas vêm ganhando mais visibilidade, sinal de que o descanso profundo voltou a ser prioridade.
2) Viagens com curadoria completa: quando a agência decide por ti
O cansaço de tomar decisões constantemente, no trabalho, na vida pessoal e até no lazer, tem influenciado a forma como muitas pessoas viajam. Em resposta a esse cenário, cresce a procura por experiências em que o viajante não precisa planejar cada etapa do roteiro, delegando a responsabilidade às agências de turismo e especialistas em curadoria de viagens.
Nesse modelo, a agência atua como mediadora de confiança, assumindo desde a definição do itinerário até a escolha de hospedagens, passeios e surpresas ao longo do trajeto. Entre os formatos que vêm ganhando espaço, estão:
- pacotes-mistério, nos quais o destino ou parte do roteiro só é revelado durante a viagem
- cruzeiros com itinerário surpresa, pensados para quem busca novidade e imprevisibilidade
- estadias com programação pré-curada, que eliminam a necessidade de reservas e decisões constantes
Essa proposta oferece alívio mental e sensação de cuidado: o viajante entrega o planejamento a profissionais que conhecem o destino, entendem seu perfil e constroem uma experiência coerente do início ao fim. Assim, a viagem deixa de ser uma sucessão de escolhas e passa a ser vivida com mais leveza, confiança e encantamento.
3) Rodovias de volta ao protagonismo
Relatórios do setor indicam um novo impulso às viagens rodoviárias, que voltam ao centro do planejamento de férias por três principais motivos: a maior liberdade e flexibilidade de deslocamento, os custos mais competitivos em relação às passagens aéreas e o interesse crescente por rotas cênicas e trajetos mais lentos. Em resposta a esse movimento, o mercado vem reposicionando o conceito tradicional de road trip, transformando-o em uma experiência mais sofisticada, que integra gastronomia, vivências locais e paradas estrategicamente selecionadas ao longo do percurso.
4) Viagens personalizadas: roteiros que refletem momentos e necessidades individuais
O turismo caminha para um modelo cada vez mais personalizado, no qual a experiência é moldada de acordo com o momento de vida, os interesses e as motivações de cada viajante. Em vez de produtos padronizados, ganham espaço roteiros desenvolvidos para situações e desejos específicos, como viagens de recomeço após períodos desafiadores, retiros temáticos ou propostas voltadas a interesses muito particulares.
Nessa abordagem, a viagem passa a ser construída sob medida, funcionando como um marco pessoal: um tempo de pausa, reflexão e ressignificação. O roteiro se transforma em uma experiência íntima, significativa e alinhada à identidade de quem viaja.
